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Inteligência emocional: porque ela vale mais a pena do que parece

Inteligência emocional: porque ela vale mais a pena do que parece
A inteligência emocional é um conjunto de habilidades que nos levam à resiliência: a capacidade de reinventar-se mediante os imprevistos, uma decisão consciente de escolher o que fazer com o que fizeram conosco. Sartre provavelmente estaria presente nesse texto se fosse uma conversa de sua época. O que ele queria dizer sobre existencialismo, na modernidade chamamos de resiliência. Na prática, a inteligência emocional impacta tudo: desde como você conduz uma reunião difícil até a forma como reage a uma discussão familiar ou a um momento de ansiedade leve. Quem desenvolve essa habilidade tende a ter mais equilíbrio, clareza e maturidade emocional, criando relações mais saudáveis e tomando decisões mais assertivas — tanto na vida pessoal quanto profissional. 

O que é inteligência emocional e por que ela virou tão citada

A inteligência emocional é o conjunto de habilidades usadas para reconhecer e gerenciar emoções, de forma produtiva e equilibrando a razão e o sentimento. Daniel Goleman traça cinco pilares, descritos abaixo. A gestão emocional ganhou destaque porque resolve um problema real: muitas pessoas têm conhecimento, mas não sabem lidar com pressão, frustração ou conflitos. É aí que entra a inteligência emocional. 
  1. autoconsciência; 

  2. autorregulação; 

  3. motivação; 

  4. empatia; 

  5. habilidades sociais. 

De maneira simplista, a autoconsciência e a autorregulação estão relacionadas principalmente ao autoconhecimento, ou seja, o que é fundamental ao lidar e gerenciar as emoções. Adiante, trago algumas dicas para o início desse processo. De modo geral, descobrimos o que pode nos tirar do eixo e o que pode evitar essa saída. Já a motivação é o que justifica as ações serem contínuas. Por exemplo, mesmo cansada, estudo e trabalho todos os dias, pois minha motivação são a) pagar as contas do mês; b) melhorar a qualidade de vida e lucro. Aqui, veja bem, é nítido: eu trabalho, pois tenho motivações muito claras que justificam as minhas ações. Logo, com essa autoconsciência, é muito mais simples me direcionar a permanecer produtiva e traçar planos para que outros aspectos da vida não atrapalhem essa produtividade. O quarto pilar da inteligência emocional é a empatia: a capacidade de se colocar no lugar do outro. Consequentemente, ao entendermos o outro, tendemos a gerenciar melhor as trocas e relações cotidianas. 
Fonte/Reprodução: original
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Para te elucidar: se compreendo que meu colega é ansioso, logo não direi “Depois converso com você” se não houver tempo hábil para conversar de imediato, a fim de evitar uma crise. Assim, fazemos uma percepção mais apurada de quem nos rodeia, tornando nossa comunicação mais assertiva e desenvolvendo o quinto ponto, as habilidades sociais. 

Como identificar emoções antes que elas dominem decisões

Para identificar emoções, pense em padrões de comportamento e gatilhos ou antecedentes a cada reação. Vamos pensar em comportamento (reação), antecedentes (gatilhos) e manejo para evitar os gatilhos. Isso exige autoconhecimento de si e do outro, para tornar a comunicação e a convivência mais assertivas entre seus pares. Como escritora, uma mesa bagunçada e cabos fora do lugar (antecedentes) podem me levar a um estado de ansiedade e pouca produtividade (comportamentos). Por isso, programo dentro da minha rotina nichos de organização, prateleiras, algumas canecas para lápis, pastas e post-its para catalogar, organizar e posicionar recursos materiais do trabalho e da vida pessoal. 

Inteligência emocional no trabalho e nos relacionamentos

Aqui compreendemos que somente as funções cognitivas não são suficientes para manter a produtividade e as boas relações de trabalho. As habilidades sociais, a flexibilidade cognitiva e a empatia em compartilhar e buscar um bem estar comum e social. Profissionais com bom controle emocional lidam melhor com pressão, sabem ouvir críticas sem reagir de forma negativa e conseguem se comunicar com mais clareza. Nos relacionamentos, o impacto é ainda mais visível. A empatia permite entender o outro além das palavras, enquanto o autocontrole evita que discussões escalem sem necessidade. Em uma discussão familiar, por exemplo, alguém com inteligência emocional consegue parar, escutar e responder com mais equilíbrio, evitando mágoas e fortalecendo vínculos. 

Como desenvolver inteligência emocional na prática

Para desenvolver o controle emocional, é preciso compreender e fazer gestão das próprias emoções. Na prática, significa responsabilizar-se e compreender os limites do próprio espaço e do outro. O ponto-chave aqui é o autoconhecimento, por isso, trago algumas perguntas para sua reflexão com um caderno e caneta. Eu gosto de chamar de “caderninho das emoções” ou escrita terapêutica, se preferir. Sendo assim, pergunte-se: 
  1. Quais os meus valores inegociáveis?

  2. Quais valores são passíveis de negociação

  3. Quais os gatilhos para crises de choro ou raiva?

  4. O que pode me acalmar antes da crise?

  5. É possível fazer uma pausa antes de conversar?

Quando falamos do que é inegociável ao seu emocional, falamos de valores que são intrínsecos, o que baseia a sua vida. Se para você, uma determinada religião é imprescindível, compreendemos que é inegociável. Agora, se o outro mora distante e você lida com isso de maneira sustentável, é um valor passível de negociação. Não há uma receita para as situações, mas uma base analítica. Acredito que a melhor forma para tanto seja a escrita terapêutica: descreva, compare, pense, reflita. Na terceira pergunta, mencionei sobre os gatilhos para crises. Aqui, prestamos atenção nos antecedentes, ou seja, no que é prévio a uma crise, o que é variável. Exemplo: para uma pessoa com sensibilidade auditiva, e, já respondendo a quarta pergunta, é mais indicado que use abafador auricular e realize pausas de um ambiente com ruído, como uma festa ou show, por exemplo. Por fim, na quinta pergunta menciono a pausa possível. Acredito que se aplica principalmente em conversas difíceis, seja no campo profissional ou pessoal. Pensando no mercado de trabalho, vemos pessoas extremamente competentes a nível de currículo e conhecimento, mas despreparadas ao lidar com imprevistos e conflitos de maneira sustentável. O conhecimento técnico e acadêmico são importantes, mas desacompanhados de maturidade, pode inviabilizar relações pessoais e profissionais, o que em ambos os casos prejudica em um amplo espectro de domínios da nossa vida. 
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